Nesta edição do Conexão PVT, Marcelo Alonso conversou com o mestre Belocqua Wera, o homem que descobriu e lapidou o talento de Alex “Poatan”. Belocqua mergulha nas origens do lutador do UFC, revelando como ele se transformou em um dos maiores nomes do esporte mundial através da disciplina e de uma filosofia única baseada na ancestralidade indígena.
O mestre detalha a criação de seus estilos, explica a origem do apelido “Poatan” e comenta sobre os golpes que se tornaram marcas registradas do lutador. Além disso, Belocqua analisa os próximos desafios de Poatan nos pesos-pesados e aponta quem ele acredita ser o adversário mais perigoso para o brasileiro hoje.
Treinador também da lenda do kickboxing Paulo Zorello, ele contou como acredita que seria a mais badalada luta da modalidade nos anos 90 contra Sérgio Batarelli. E muito mais.
Em entrevista ao Conexão PVT desta quarta-feira, Rafael dos Anjos detalha sua nova fase como empreendedor, abrindo sua própria academia no Texas, e compartilha os desafios físicos que enfrentou recentemente, incluindo uma série de cirurgias no joelho que o mantém afastado do octógono desde outubro de 2024. O ex-campeão dos leves contou que já avisou ao UFC sobre a data que pretende estar pronto para voltar a ação.
Dos Anjos também falou sobre os momentos mais marcantes de sua carreira e relembrou bastidores de duelos contra Ben Henderson e Khabib Nurmagomedov.
RDA analisa ainda o cenário atual das categorias leve e meio-médio do UFC, avaliando os principais destaques de cada uma delas, e muito mais.
"Bem-Vindo à Selva" conta os bastidores do Fight do Milhão - Foto: Divulgação
A TV Globo exibe nesta quarta-feira (22), logo após a novela “Guerreiros do Sol”, o documentário “Bem-vindo à Selva”, produção que acompanha os bastidores da primeira temporada do Fight do Milhão, torneio do Jungle Fight.
“Bem-Vindo à Selva” conta os bastidores do Fight do Milhão – Foto: Divulgação
O especial apresenta o dia a dia dos 16 lutadores que participaram da competição desde a preparação até as fases decisivas. Ao longo do documentário, o público acompanha treinos, rotina fora da Arena Jungle, desafios físicos e a relação dos atletas com suas famílias e equipes.
A produção também detalha o processo de corte de peso, etapa comum no MMA, além da pressão enfrentada pelos competidores em busca do prêmio de R$ 1 milhão, o maior já oferecido no esporte no país. O valor foi dividido igualmente entre os campeões das categorias masculina e feminina.
Com imagens de bastidores e relatos dos participantes, “Bem-vindo à Selva” mostra como o torneio impacta a vida dos atletas e evidencia o caminho percorrido até a conquista do título.
A exibição do documentário antecede o retorno do Fight do Milhão. A nova temporada estreia neste sábado (25), com transmissão ao vivo pela TV Globo, Sportv e Combate.
O torneio masculino será disputado na divisão dos meio-médios (até 77kg) e integra o card do Jungle Fight 149, que terá como palco o Ginásio Mauro Pinheiro, no Ibirapuera, em São Paulo.
Equipe liderada por Marcio Cromado somou 16 ouros - Foto: Divulgação
A equipe RFT mostrou força e eficiência na disputa da Copa Helio Gracie, realizada pela FJJRio no último final de semana, ao conquistar o título geral no No Gi. Ao todo, foram 16 medalhas de ouro, quatro de prata e três de bronze, resultado que, segundo o líder Marcio Cromado, reflete estratégia, qualidade técnica e superação de desafios financeiros.
Equipe liderada por Marcio Cromado somou 16 ouros – Foto: Divulgação
“Nós não entramos com uma equipe numerosa, a equipe RFT tem muito mais atletas. A questão é que realmente é uma inscrição cara hoje em dia. Então, nós conseguimos pagar apenas 22 inscrições”, explicou Cromado, destacando a limitação no número de competidores. Ainda assim, o desempenho foi quase impecável. “Os que entraram, todos fizeram pódio e os que lutaram absoluto, todos foram campeões ou vice-campeões”, completou.
Mesmo diante de equipes maiores e tradicionais do cenário carioca, a RFT conseguiu competir em alto nível. “O nosso trabalho para montar quem ia lutar foi para realmente estarmos no pódio e lutar de igual para igual com as grandes equipes de Jiu-Jitsu do Rio de Janeiro”, afirmou.
Além do resultado esportivo, o treinador ressaltou o simbolismo da conquista, já que o evento aconteceu em Botafogo, bairro que abriga a sede da equipe. “Nós não poderíamos deixar ninguém ganhar no nosso bairro. A ideia não é só defender o bairro, é defender o Estado e o Brasil”, disse, ampliando a visão da equipe para competições maiores no cenário internacional.
Cromado também fez questão de destacar o orgulho pelos atletas, tanto os mais experientes quanto a nova geração. Um dos nomes citados foi o veterano “Chocolate”, que brilhou ao conquistar ouro na categoria e no absoluto. “Fiquei muito orgulhoso, principalmente em ver o Chocolate sendo campeão no peso e no absoluto. Ele é uma grande referência da nossa equipe desde o início”, afirmou, lembrando ainda ausências importantes como Jefferson Toddynho, Gustavo Dutra e Canelão.
O treinador reforçou que o sucesso da RFT vai além do No Gi. A equipe também teve bom desempenho no kimono, mostrando versatilidade. “Todos que lutaram de kimono fizeram pódio. O professor Bruno Grigolli, que está à frente do jiu-jitsu, está fazendo um grande trabalho”, destacou.
Apesar dos resultados expressivos, Cromado foi direto ao apontar o principal obstáculo para voos mais altos: o investimento. “Para você ter uma ideia, temos atleta que já gastou quase dois mil reais só com inscrições esse ano. É um custo muito alto”, revelou. Ele reforça que a equipe tem potencial para competir em grandes eventos, mas precisa de apoio. “Material humano a RFT tem, e tem muito. O que falta agora é investimento para disputar os grandes eventos e enfrentar os melhores do mundo”.
Por fim, Cromado destacou que o foco segue sendo a evolução constante, dentro e fora dos tatames. “O nível é manter treinando, se manter humilde, feliz e unido. Vamos continuar trabalhando em busca do topo do pódio sempre”, concluiu.
"Índio Acreano" conquistou o cinturão no Shooto - Foto: João Baptista
O Shooto Brasil 136, realizado na última sexta-feira, na Upper Arena, no Rio de Janeiro, teve como principal destaque a definição do cinturão interino dos pesos leves. Na luta principal, Wendel “Índio Acreano” Almeida foi declarado vencedor após a desclassificação de Jeferson “Cyborg” dos Santos no segundo round.
“Índio Acreano” conquistou o cinturão no Shooto – Foto: João Baptista
O combate começou com equilíbrio, com os dois atletas alternando estratégias no primeiro assalto. Na segunda parcial, o árbitro interrompeu a luta após Jeferson aplicar cotoveladas na nuca de Wendel, golpe considerado ilegal. Sem condições de continuar, Wendel venceu por desclassificação e ficou com o cinturão interino da categoria.
Além da luta principal, o evento teve uma sequência de combates com desfechos por via rápida. O confronto entre Tadd Ilgas e Lucas Tupi foi escolhido como o melhor da noite. Após sofrer pressão no início, Ilgas reagiu e venceu por nocaute técnico no segundo round.
Confira abaixo todos os resultados do evento:
Shooto Brasil 136 Upper Arena, Rio de Janeiro (RJ) 17 de abril de 2026
Wendel “Índio Acreano” Almeida venceu Jeferson “Cyborg” dos Santos por desclassificação (cotoveladas ilegais) no R2
Juscelino Pantoja venceu Micael de Jesus por decisão unânime no R3
Thiago “D’Menor” Carvalho venceu Nildean “Bodah” Paes por decisão unânime no R3
Lucas Ananias venceu Leonardo Willians por finalização (guilhotina) no R2
Tadd Ilgas venceu Lucas Tupi por nocaute técnico (socos) no R2
Guilherme Doin venceu Paulo Ricardo “Cangaceiro” Rodrigues por decisão dividida no R3
Reidney de Oliveira Campos venceu Yarlei Martins Andrade Jr. por nocaute (soco) no R1
Myllena “Mão de Pedra” Messias venceu Fernanda Guersone por nocaute (socos) no R1
João Roque venceu Renan Gonçalves por finalização (mata-leão) no R1
Ralph “El Demoledor” Mattos venceu Luis Fernando por nocaute técnico (socos) no R1
Ayslan Brajão venceu Gabriel de Oliveira por finalização (mata-leão) no R1
Competição tem início nesta segunda - Foto: Divulgação/CBBoxe
A temporada internacional do boxe olímpico tem início nesta segunda-feira (20), em Foz do Iguaçu (PR), com a primeira etapa da Copa do Mundo de Boxe 2026. A competição segue até o dia 26, no Rafain Palace Hotel, com entrada gratuita para o público e participação recorde de atletas.
Competição tem início nesta segunda – Foto: Divulgação/CBBoxe
Ao todo, quase 400 boxeadores de 50 países estão inscritos, o maior número já registrado na história do torneio. O evento marca a largada do circuito organizado pela World Boxing e distribui pontos importantes para o ranking internacional ao longo da temporada.
A disputa reúne categorias masculinas e femininas em formato eliminatório. Cada atleta precisa vencer seus combates para avançar até as finais, passando por fases como preliminares, quartas de final e semifinais. As lutas iniciais acontecem em dois ringues simultâneos, enquanto as decisões serão realizadas em um único espaço.
A programação começou no domingo (19), com o sorteio das chaves. A partir desta segunda, os combates ocorrem diariamente em duas sessões: às 14h e às 18h. As finais estão previstas para o fim de semana, nos dias 25 e 26.
A seleção brasileira participa com 16 atletas e chega embalada por resultados recentes no cenário internacional. Entre os destaques está a campeã mundial de 2025, Rebeca de Lima, além de nomes que já conquistaram medalhas em etapas anteriores do circuito.
Outras potências do boxe também confirmaram presença com delegações numerosas, como Estados Unidos, China, Japão, Itália e Cazaquistão, o que eleva o nível técnico da competição logo na abertura da temporada.
Além das medalhas, os atletas disputam pontos no ranking da World Boxing. O campeão de cada categoria soma 150 pontos. Após a etapa no Brasil, o circuito seguirá para a China, em junho, e será encerrado com as finais em Tashkent, no Uzbequistão, no fim do ano.
Para quem não estiver em Foz do Iguaçu, todas as lutas serão transmitidas ao vivo pelo canal oficial da Confederação Brasileira de Boxe no YouTube, desde as eliminatórias até as finais.
Confira a delegação brasileira nos naipes masculino e feminino:
Michael Douglas (55kg)
Luiz Gabriel Oliveira (60kg)
Yuri Falcão (65kg)
Kaian Reis (70kg)
Thauan da Silva (75kg)
Wanderley Pereira (80kg)
Kauê Belini (85kg)
Isaías Ribeiro (90kg)
Joel Ramos (+90kg)
Convidado de Marcelo Alonso nesta segunda-feira no Conexão PVT, Rafael Cordeiro analisou os principais acontecimentos do UFC 327, como a ótima atuação de Paulo Borrachinha, o que rolou no combate entre Jiri Prochazka e Carlos Ulberg, o lutão entre Josh Hokit e Curtis Blaydes, entre outros.
O líder da Kings MMA falou também de seu novo projeto, uma mentoria onde passará todo seu conhecimento de 40 anos de carreira. Rafael revelou ainda como está Mike Tyson e os planos da lenda do boxe de fazer mais uma luta, e relembrou o dia em que Fabrício Werdum e Jon Jones resolveram fazer um treino às 3h da manhã num hotel no Brasil.
O treinador também analisou os desafios que vem por aí para os brasileiros no UFC, apontou aqueles que tem mais chances de títulos, e muito mais.
Omar Damazio é policial da tropa de elite do Rio de Janeiro e faixa-preta com mais de 25 anos de carreira - Foto: Divulgação
Mais do que uma trajetória entre o tatame e as ruas, o faixa-preta de Jiu-Jitsu Omar Damazio construiu um trabalho sólido como instrutor ao transformar sua vivência operacional em um modelo de ensino voltado à realidade. Com mais de 25 anos na Polícia Militar, incluindo atuação em unidade de elite, ele desenvolveu uma abordagem prática de defesa pessoal focada em controle, contenção e resposta eficiente em situações críticas.
Omar Damazio é policial da tropa de elite do Rio de Janeiro e faixa-preta com mais de 25 anos de carreira – Foto: Divulgação
Sua base nas artes marciais começou ainda na infância, com passagens por Judô, Capoeira e Kung Fu, experiências que ajudaram a formar disciplina e consciência corporal. No entanto, foi ao longo da carreira que essa base ganhou direcionamento técnico. “Desde muito jovem, sempre estive envolvido com artes marciais. Isso contribuiu para a construção da minha base disciplinar e marcial”, relembra, destacando que essa formação inicial foi fundamental para o desenvolvimento posterior voltado à aplicação prática.
O ponto de virada aconteceu em 2013, ao ingressar no BOPE, quando passou a enxergar o Jiu-Jitsu sob uma ótica operacional. “Foi nesse ambiente que passei a enxergar as artes marciais não apenas como modalidade esportiva, mas como uma ferramenta técnica de controle, contenção e reação em confrontos de curta distância.” A partir desse momento, o foco deixou de ser apenas a performance esportiva e passou a incluir recursos como clinch, quedas, domínio posicional, montada, controle de costas e imobilizações, elementos essenciais para neutralizar ameaças de forma eficiente e proporcional.
Graduado faixa-preta pelo mestre Thiago Torin, Damazio direcionou sua formação para a aplicabilidade profissional do Jiu-Jitsu. “Percebi que o Jiu-Jitsu oferecia soluções concretas para situações em que era necessário controlar, imobilizar e neutralizar resistência com técnica e proporcionalidade”, explica. Essa visão prática passou a orientar tanto sua atuação quanto o desenvolvimento de treinamentos voltados à realidade operacional.
Vivência operacional como base do ensino técnico
A experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas na Polícia Militar é a base que sustenta seu trabalho como instrutor. Segundo ele, a vivência nas ruas exige muito mais do que domínio técnico. “A rua impõe um tipo de confronto imprevisível, dinâmico e quase sempre marcado por stress, fadiga e pressão psicológica. Nesses contextos, não basta conhecer técnicas; é preciso saber ler o cenário, decidir rápido e agir com controle.” Essa leitura direta da realidade é o que fundamenta o conteúdo que hoje transmite aos seus alunos.
A formação em operações especiais também foi determinante na construção da sua metodologia. Submetido a treinamentos de alta exigência física e emocional, Damazio desenvolveu uma abordagem baseada em repetição técnica, clareza mental e execução sob pressão. “Desempenho real depende de preparo contínuo e da capacidade de agir com precisão mesmo em condições adversas”, afirma, conectando essa experiência diretamente ao modelo de instrução que aplica atualmente.
Hoje, sua atuação como instrutor vai além do ensino tradicional de defesa pessoal. Ele se posiciona como um formador de profissionais preparados para atuar em ambientes de risco. “Minha metodologia é baseada em simplicidade, eficiência e repetição consciente. Procuro ensinar o que pode ser executado sob pressão, com clareza e adaptação ao contexto real”, explica. O foco está em técnicas que funcionam na prática, permitindo controle da situação e uso proporcional da força.
Dentro dessa proposta, o Jiu-Jitsu aparece como uma ferramenta importante, mas inserida em um sistema mais amplo de técnicas defensivas. Para Damazio, sua relevância está na capacidade de gerenciar confrontos em curta distância. “Ele desenvolve controle corporal, domínio posicional, contenção técnica e capacidade de neutralizar resistência de forma proporcional”, destaca, reforçando sua aplicação em contextos reais de segurança.
Ao longo da carreira, sua principal contribuição tem sido transformar experiência operacional em conhecimento técnico estruturado e aplicável. “Procuro formar profissionais capazes de responder com eficiência, proporcionalidade e segurança em situações de risco elevado”, afirma. Como legado, ele busca fortalecer a defesa pessoal como um campo profissional sério, preparando melhor aqueles que atuam diretamente sob pressão. “Quero contribuir para a profissionalização da defesa pessoal, levando uma metodologia prática, clara e funcional para quem precisa estar pronto para agir quando realmente importa.”
Segunda etapa do Estadual agitou o ginásio do Botafogo - Foto: Divulgação
O ginásio do Botafogo foi palco, no último final de semana, de um dos capítulos mais emocionantes da temporada 2026 do Jiu-Jitsu fluminense. A Copa Helio Gracie, segunda etapa do Circuito Estadual da FJJRio, reuniu o alto escalão da arte suave em confrontos que definiram a hegemonia das grandes escolas no Rio de Janeiro. Dentro do tatame, a Gracie Barra confirmou sua força institucional ao conquistar o título de campeã geral nas competições de kimono, enquanto a RFT (Renovação Fight Team) impôs seu ritmo e sagrou-se campeã geral nas disputas de No Gi (sem kimono).
Segunda etapa do Estadual agitou o ginásio do Botafogo – Foto: Divulgação
Para além dos números por equipes, o evento foi marcado por histórias de resiliência individual. No absoluto adulto faixa-preta de kimono, a GFTeam protagonizou um “fechamento” de pódio com os atletas João Victor Venturi e Willian Cardoso. A trajetória de Venturi até o ouro, no entanto, foi dramática. O atleta revelou que lutou contra uma forte virose para conseguir competir.
“Eu estava com febre e com a garganta inflamada, então não consegui ir bem na categoria. Mas eu queria muito lutar e resolvi me inscrever no absoluto. Não tinha condições nenhuma, estava com quase 40 graus de febre. Corri para a área médica, tomei quatro remédios diferentes, um banho gelado e decidi lutar. No final deu tudo certo. Finalizei dois adversários muito duros e fechei a final do absoluto com o irmão e professor Willian Cardoso”, contou o campeão.
No No Gi, o brilho ficou por conta do veterano Leonardo Chocolate, da RFT. Em uma demonstração de longevidade e técnica, Chocolate ignorou a possibilidade de lutar em sua faixa etária original para testar-se contra os mais jovens. O resultado foi o título do peso pesadíssimo e do absoluto adulto. Segundo o lutador, o desafio foi incentivado pelo seu mentor: “Eu poderia lutar no master, mas lutar no adulto me diz que eu estou ‘vivo’. Eu só ia lutar no peso, mas por livre e espontânea pressão do meu mestre Marcio Cromado, acabei me inscrevendo no absoluto e saí campeão”.
Transmissão ao vivo
Fora das áreas de luta, a Copa Helio Gracie marcou um avanço histórico na profissionalização do esporte no Estado. O evento marcou a estreia oficial da Flograppling, principal plataforma de transmissão de Jiu-Jitsu do mundo, na cobertura dos torneios da FJJRio. A presidente da federação, Kenya Gracie, destacou que a parceria eleva o patamar dos competidores locais no cenário global.
“Tanto o evento quanto a transmissão foram um verdadeiro sucesso. Ficamos muito felizes em oferecer ao atleta um produto de qualidade e visibilidade internacional. A partir de agora será possível assistir às lutas em tempo real, estudar adversários e acompanhar o evento de qualquer lugar do mundo. Essa foi apenas a primeira de muitas etapas com a transmissão da Flograppling”, afirmou Kenya.
Com o encerramento da segunda etapa, o foco das equipes se volta agora para a realização do Campeonato Estadual, agendado para os dias 16 e 17 de maio na Arena Carioca, na Barra da Tijuca.
Ex-ministro do Esporte é faixa-preta de jiu-jitsu - Foto: Divulgação
O esporte, especialmente as artes marciais, ocupa um lugar central na trajetória pessoal e política de Leonardo Picciani. Ex-ministro do Esporte durante os Jogos Olímpicos do Rio, ele associa a prática esportiva a valores formativos e à construção de políticas públicas que conectem base social e alto rendimento, um modelo que, segundo ele, se consolidou de forma espontânea no país.
Picciani começou cedo nas modalidades de combate. “Eu sempre pratiquei esporte, desde criança. Comecei criança praticando esporte de luta, judô, depois o jiu-jitsu”, afirma o faixa-preta de jiu-jitsu. Ao longo dos anos, diversificou a rotina com ciclismo e, atualmente, mantém treinos voltados à saúde.
Ex-ministro do Esporte é faixa-preta de jiu-jitsu – Foto: Divulgação
Ele aponta o impacto direto das lutas na formação pessoal: “Os esportes de artes marciais trazem muitos ensinamentos, muitos valores que são muito importantes para a vida. Primeiro, valores de respeito. Sobretudo aprender a lidar com vitória, aprender a lidar com a derrota, aprender a cair e levantar”.
A experiência no Ministério do Esporte, assumido a menos de três meses da abertura da Olimpíada de 2016, é tratada como um ponto fora da curva na carreira. “Foi uma surpresa, porque eu assumi o ministério faltando 87 dias para o início dos Jogos”, lembra.
Mesmo em meio à instabilidade política do período, ele destaca o resultado do evento: “Foi a oportunidade de estar no momento crucial da realização de um evento que é um evento da humanidade, representando o governo do meu país. Os Jogos Olímpicos foram um grande sucesso”.
Ao avaliar o legado olímpico, Picciani aponta ganhos estruturais e simbólicos, mas também críticas ao período posterior. “Trouxe não só o legado material, mas trouxe um legado imaterial, que foi aproximar ainda mais o brasileiro do esporte”, diz.
Em seguida, faz uma ressalva: “O maior equívoco foi, sem dúvida nenhuma, o período entre 2019 e 2023, quando o governo federal à época optou pela extinção do Ministério do Esporte. Isso eu considero um erro gravíssimo”.
Na discussão sobre modelos esportivos, o ex-ministro rejeita fórmulas importadas e defende uma construção baseada na realidade brasileira. Para ele, o país encontrou um caminho próprio ao combinar inclusão social com formação de atletas. “A gente precisa levar o esporte para cada rincão, para cada canto do Brasil; e, a partir daí, dar a oportunidade de avanço a quem tem talento para seguir”, afirma.
Esse modelo, segundo Picciani, passa pela ampliação do acesso e pela diversidade de modalidades. Ele usa o futebol como exemplo de capilaridade: “O futebol é uma modalidade que está universalizada. Se a gente universalizar outras modalidades, nós vamos ter muito mais talento”. Para isso, aponta a importância de competições regionais e da estrutura descentralizada, que permite a descoberta de atletas fora dos grandes centros.
As artes marciais aparecem, nesse contexto, como ferramenta estratégica. Além do potencial competitivo, ele destaca o papel social das lutas na formação de jovens. “O esporte é uma ferramenta que pode vir associada à educação, à saúde, à segurança pública”, afirma. E completa: “Você ocupa o tempo do jovem, não permite que ele tenha tempo livre para buscar coisas erradas”.
Picciani também relaciona o esporte a temas contemporâneos, como saúde mental e uso excessivo de tecnologia. “O mundo hoje briga contra a hiperconexão e o esporte é uma oportunidade. O tempo que o garoto está ali treinando, ele não está no celular”, diz.
Ao longo da entrevista, o ex-ministro ratificou a ideia de que o esporte atravessa diferentes áreas da vida pública. “O esporte atravessa segurança, educação, economia, saúde mental. É uma transversalidade”, resume. Para ele, a consolidação desse papel depende menos de modelos prontos e mais da capacidade de ampliar o acesso e integrar iniciativas, do projeto social à formação de atletas de elite.