A equipe Chute Boxe dominou completamente a segunda edição do Meca World Vale-Tudo, realizada no dia 13 de agosto de 2000, no Ginásio do Circulo Militar, em Curitiba. As feras de Rudimar estiveram presentes em seis das sete lutas realizadas no evento, vencendo em cinco delas. Na luta principal da noite, o ídolo local Wanderlei Silva, presenteou os quase dois mil presentes com um espetacular nocaute em cima do americano Todd Medina. Anderson Silva, Murilo Ninja, Silvio Urutum e Marcelo Santos completaram a noite vitoriosa da Chute Boxe.
Três meses depois do sucesso da primeira edição, Rudimar Fedrigo e Jorge Guimarães realizaram a Segunda edição do Meca World Vale-Tudo com transmissão ao vivo pelo Sportv. Desta vez além de Anderson, Nilsão e Ninja, a equipe Chute Boxe veio reforçada por Wanderlei Silva, que já havia feitos duas lutas no UFC e três no Pride. Para enfrentá-lo Joinha e Rudimar trouxeram o americano aluno de Carlson Gracie Todd Medina, que havia acabado de tatuar no peito dois buldogues (simbolos da equipe do mestre).

Texto e fotos: Marcelo Alonso
WANDERLEI APLACA NERVOSISIMO EM 39s
Mesmo já tendo 14 lutas e 12 vitórias no currículo, sendo três delas no Pride, Wanderlei fez questão de atender ao pedido do mestre Rudimar para fazer a luta principal de seu evento, voltando a lutar para os seus fãs de Curitiba. Antes de entrar para fazer a luta principal, porém, Wanderlei me confidenciou: “Lutar em casa é fogo. Há muito tempo que não fico tão nervoso antes de uma luta”. Para azar do americano Todd Medina, o nervosismo de Wanderlei foi convertido em agressividade, e que agressividade!!! Em exatos 38 segundos, Medina já estava no chão recebendo oxigênio dos médicos graças a uma daquelas violentas séries de socos e chutes desferidas pelo brasileiro, que saiu do ringue erguido por sua torcida. Sete meses após esta vitória Wanderlei conquistaria o cinturão do Pride atropelando Sakuraba em 1min38 no Pride 12 e iniciando o reinado mais dominante da história do evento japones que foi realizado entre 1997 e 2007.
A VOLTA POR CIMA DE ANDERSON SILVA
Três meses após o revés para Luis Azeredo (Godói e Macaco) no Meca 1, Anderson Silva deu um show para a torcida curitibana, só precisando de 1min07s para derrubar o representante do Jiu-Jitsu José Barreto (Glendha Jiu-Jitsu – Paranaguá), com um belo chute na cabeça seguido de chutes e socos que obrigaram o arbitro Pedro Rizzo a interromper a luta. Depois de vencer Claudinor Fontinele na 4o edição do Meca em Dezembro de 2000, Anderson conquistaria seu primeiro cinturão internacional vencendo Hayato Sakurai no Japão em augosto de 2001, finalmente conseguindo deixar seu emprego no McDonalds para se dedicar só aos treinos. Em Junho de 2002 Anderson estrearia no Pride (21) com uma vitória consagradora por nocaute sobre o americano Alex Stiebling, apelidado de Brazilian Killa, após enfileirar seis lutadores brasileiros.

NINJA NOCAUTEIA FENÔMENO DA BUDOKAN
Depois de finalizer o aluno de Macaco Adriano Verdelli na 1o edição, Murilo Ninja teve outro teste de fogo no solo contra o mais tecnico aluno de João Ricardo (Budokan), Israel Albuquerque. E no duelo entre Luta-Livre (Budokan) e Muay Thai (Chute Boxe) a equipe curitibana se saiu melhor.
Sabendo do excelente jogo em pé de Ninja, Israel tratou de levá-lo para o chão, mas caiu por baixo tentando uma kimura bem defendida pelo faixa roxa de Jiu-Jitsu, que ficou de pé para socá-lo, mas sendo prontamente atacado com uma chave de joelho. Ninja escapou e, quando ia começar a bater, foi novamente surpreendido, desta vez com uma chave de calcanhar. Mais uma vez o representante da Chute Boxe defendeu, caindo montado no atleta da Budokan, que imediatamente bateu. “Foi muito azar. O meu ombro saiu do lugar no meio da luta e eu fui obrigado a pedir para parar”, explicou Israel, pedindo uma chance ao matchmaker do Pride, Koichi Kawasaki, convidado especial do evento, enquanto Ninja aproveitava o microfone de “Joinha” (Sportv) para desafiar o campeão japonês da categoria, Hayato Sakurai, que havia vencido recentemente, em luta dura, Luisinho Azeredo (foi levado ao Japão após vencer Anderson no Meca1).

ASSUÉRIO VENCE E FICA NA CHUTE BOXE
Depois de vencer uma série de eventos no Nordeste, Assuério Silva foi convidado por Rudimar Fedrigo para participar do Meca 2 e já veio de mala e cuia. Sabendo que a equipe estava carente de um peso pesado o “Demonio Nordestino” sabia que se tivesse uma vitória maiuscula teria tudo pra conquistar a vaga. Dito e Feito. Assuério já começou a luta partindo para cima do aluno de Marcelo Ribas Rodrigo Mamute de 128kg. Apoiado pela torcida o gurducho contra-atacou com um cinematográfico double-leg, arremessando os seus 102kg no chão com facilidade. O público imediatamente respondeu: “Mamute! Mamute!”. No chão, Assuério, que treinou Jiu-Jitsu um bom tempo com o faixa preta “Buda”, mostrou malandragem raspando rápido o pesado oponente e chamando-o para a luta em pé. Na troca de golpes, Mamute mais uma vez quase cai vítima de uma incrível seqüência de chutes e socos, mas conseguiu clinchar a tempo derrubando mais uma vez o nordestino. Com uma raspagem, Assuério voltou em pé e, aproveitando o cansaço do oponente, levou-o à lona com um direto na ponta do queixo em 4min28s. Mamute saiu do ringue ovacionado pelo público, que passou um bom tempo gritando seu nome. Apesar do apoio do publico, foi Assuério que conquistou a vaga, já saindo do ginásio para a academia de Sergio Cunha, onde passou a morar. Depois de lutar e vencer em mais duas edições do Meca, Assuério estrearia no Japão como peso pesado da Chute Boxe no Pride 15, finalizando o irmão de Overeem com uma chave de calcanhar. Ele voltaria a lutar na edição 16, quando inclusive protagonizou o episódio que inicio a rivalidade entre BTT e Chute Boxe.

ANGELO ARAUJO SURPREENDE NILSON CASTRO
A nova revelação da Chute Boxe, “Marcelão” abriu a noite fazendo uma luta duríssima contra o representante da Luta-Livre paulista, José Francisco Neto (BVT). Quem pensou que em São Paulo não havia Luta-Livre se impressionou com a atuação dos alunos de Fábio Duarte. Francisco fazia uma excelente luta até ser surpreendido por uma série de joelhadas, caindo nocauteado aos 3min40s do 2º round.
Outra revelação da Luta-Livre paulista foi Alexandre Gomes, que estreiou contra a pedreira “Urutum” (Chute Boxe). Urutum, que perdeu para The Pedro no IVC, dominou a luta em pé, passando a maior parte da luta batendo de dentro da guarda do incansável paulista e venceu por decisão unânime.
Na verdade, o único representante da nova geração da Chute Boxe que não saiu com a vitória foi Nílson de Castro, que perdeu por pontos, após 20 minutos de luta e mais cinco de prorrogação, para o excelente Ângelo (Glendha) Araujo. Nílson começou melhor e, com seu jogo extremamente agressivo em pé, chegou a dar a impressão que a luta não duraria muito. Nada disto. Passados os minutos iniciais, a tranqüilidade e o melhor chão de Ângelo passaram a fazer a diferença levando os juizes a uma decisão unânime. Depois das vitórias no Meca1 e 2 Angelo voltaria a surpreender um favorito (Claudio Godoy) na 3o edição do evento. Após uma bela atuação no IVC Venezuela onde venceu tres lutas na mesma noite e só perdeu a final por exaustão para o americano Alex Stiebling, Araujo conquistaria uma vaga na BTT, onde passou a ser um dos principais sparrings de Minotauro, chegando a enfrentar o irmão de Fedor no evento japones Inoki Bombaye.





































































































