Campeão BMF do UFC, Charles Oliveira revelou detalhes dos bastidores de sua luta contra Diego Lopes e deixou claro que pretende voltar à disputa pelo cinturão dos leves. Em entrevista exclusiva no Conexão PVT, o brasileiro contou que inicialmente existiu a possibilidade de enfrentar Arman Tsarukyan, explicou por que o confronto não avançou naquele momento e projetou os próximos passos de sua carreira.
Segundo Charles, o UFC chegou a cogitar uma luta contra Tsarukyan, mas o prazo de preparação era curto, especialmente porque ele vinha de uma lesão. O brasileiro sugeriu que o duelo fosse realizado no fim do ano, mas a negociação não avançou.
Enquanto circulavam rumores sobre um possível confronto com Diego Lopes, Charles garante que ainda não havia recebido uma confirmação. A situação mudou quando seu treinador, Diego Lima, entrou em contato para avisar que Dana White poderia anunciar a luta naquele dia.
“E aí, há duas semanas atrás, eu tava aqui em casa e aí daqui a pouco, do nada, em meio a essas cogitação, o Diego pegou e me ligou e falou bem assim: ‘Ó, acho que o Dana White vai anunciar essa luta hoje’.”
O brasileiro também destacou o respeito pelo adversário, ressaltando a qualidade de Diego tanto na trocação quanto no jiu-jitsu.
“São dois caras que tem grande poder de fogo nas mãos, são dois caras que tem um jiu-jitsu completamente diferenciado”, avaliou, “Se tiver que sair na porrada, vai sair na porrada, mas só quero ir lá e vencer.”
Charles acredita que pode ser o próximo desafiante ao cinturão
Embora esteja concentrado no confronto com Diego Lopes, Charles não esconde que seu principal objetivo continua sendo reconquistar o cinturão dos leves.
Questionado sobre o cenário da divisão, especialmente diante das dúvidas envolvendo o futuro de Justin Gaethje e da presença de Arman Tsarukyan entre os principais candidatos ao título, o brasileiro afirmou que acredita ter credenciais para receber uma nova oportunidade caso vença Diego.
“Passando do Diegão agora, eu acho que o nome pesa, a história que eu tenho com ele pesa, então com certeza seria o próximo da fila a lutar pelo título”, declarou, “O Gaethje não aposentando, eu tenho a maior certeza que eu sou o próximo da fila, mas também, como acabei de falar, respeitando, sabendo que o Arman também tem a oportunidade de lutar pelo título pelo que vem sendo feito.”
O ex-lutador do UFC Thiago Tavares trocou o octógono pelos consultórios, mas continua ligado ao mundo das lutas. Depois de construir uma carreira de nove anos na maior organização de MMA do mundo, o catarinense se formou em Medicina e hoje trabalha com atletas de esportes de combate, além de desenvolver um projeto de pesquisa sobre os possíveis danos cerebrais provocados por impactos repetidos na cabeça.
Em entrevista ao Resenha PVT, Thiago contou que decidiu estudar Medicina após encerrar sua trajetória no UFC. Aos 31 anos, voltou à sala de aula, passou por uma universidade na Argentina e concluiu a formação em Santa Catarina. Atualmente, atua na área da saúde mental, atende ex-lutadores e também trabalha como médico em eventos de MMA.
A ligação com o UFC ganhou um novo capítulo em 2025, quando Thiago voltou a participar de um evento da organização no Brasil, desta vez como médico. O reencontro com o octógono foi emocionante para quem disputou 18 lutas na organização.
Pesquisa sobre ETC e casos observados em ex-lutadores
Um dos principais assuntos da entrevista foi a encefalopatia traumática crônica (ETC), doença neurodegenerativa associada à exposição repetida a impactos na cabeça e que preocupa cada vez mais profissionais envolvidos com esportes de contato.
Thiago revelou que atende ex-atletas de organizações como UFC e Pride e relatou ter observado alterações cognitivas e sintomas psiquiátricos em alguns pacientes. Entre os casos mencionados, destacou dois lutadores sob seus cuidados que apresentam manifestações psicóticas, incluindo delírios persecutórios e, em um deles, alucinações.
O médico ressaltou a preocupação com esses quadros ao explicar seu interesse em investigar as consequências neurológicas da carreira esportiva.
A proposta envolve atletas que competiram na organização entre 2010 e 2017, utilizando avaliações cognitivas e um equipamento de eletroencefalograma com auxílio de inteligência artificial. O objetivo é investigar se essas ferramentas podem contribuir para identificar alterações relacionadas à exposição repetida a golpes na cabeça. A pesquisa ainda não apresentou resultados que permitam diagnosticar ETC em vida.
“Não existe uma dose segura de traumas na cabeça, como se fosse”, afirmou Thiago, ao explicar que a preocupação não se limita aos nocautes, mas também à repetição dos impactos ao longo dos anos de treinamento e competição.
Durante a conversa, o ex-lutador também relembrou os sacrifícios que fazia para bater peso, incluindo episódios em que perdeu a consciência na sauna, analisou possíveis causas do episódio de perda de consciência envolvendo Raoni Barcelos e comentou sua decisão de abandonar a carreira esportiva. Apesar dos riscos que hoje conhece melhor, garantiu que voltaria a lutar e defendeu que os atletas recebam mais informações sobre as consequências da profissão, além de maior valorização financeira.
Nagila e Bianca lutarão por meio milhão de reais - Foto: Carlos Ventura/Jungle Fight
A final feminina do Fight do Milhão será a luta principal do Jungle Fight 156, marcado para o dia 24 de outubro, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Bianca Sattelmayer e Nágila Goku disputarão o título na última luta da noite. O torneio distribuirá R$ 1 milhão em premiação aos campeões das categorias feminina e masculina, com transmissão ao vivo da Globo, Sportv e Combate. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis no site https://junglefc.com.br/ingressos-final-do-fight-do-milhao.
Nagila e Bianca lutarão por meio milhão de reais – Foto: Carlos Ventura/Jungle Fight
A escolha do confronto feminino para encerrar o evento dá protagonismo a duas atletas que chegaram à decisão com muitos méritos. De um lado, Bianca tenta ampliar uma sequência de quatro anos sem derrotas no Brasil, depois de superar um período de dificuldades. Do outro, Nágila busca o título apenas três anos depois de iniciar a carreira no MMA, modalidade na qual começou aos 29 anos, quando já ouvia que estava velha para competir.
Natural de São José dos Campos, no interior paulista, Bianca tem 30 anos e é conhecida como “Rainha do Caos”. Seu interesse pelo MMA começou aos 14 anos. A trajetória profissional, no entanto, teve um início complicado. A atleta enfrentou uma sequência de seis derrotas e passou a lidar com dificuldades psicológicas que, segundo ela, interferiam diretamente em seu desempenho quando a porta do cage se fechava.
A recuperação começou com mudanças na preparação ao lado de Ricardo Sattelmayer, seu treinador e marido. Desde 2022, Bianca não perde em competições realizadas no Brasil. Fora das competições, também trabalha como professora de Muay Thai, atividade que concilia com a rotina de treinos.
No Fight do Milhão, a paulista estreou com uma finalização por guilhotina sobre Isa Araújo, ainda no primeiro round. Na semifinal, encontrou maior resistência diante de Yasmin Guimarães e precisou dos três rounds para conquistar a vitória por decisão dividida.
Sua adversária na final, Nágila Goku, de 32 anos, nasceu no Guarujá e cresceu em Registro, também no interior de São Paulo. Antes de ingressar no MMA, já havia conquistado títulos no kickboxing e trabalhava dando aulas de Muay Thai. A mudança de modalidade, aos 29 anos, veio acompanhada de críticas pela idade e pela pouca experiência no jiu-jítsu, já que ainda era faixa-branca.
Para investir na carreira, Nágila deixou Registro e mudou-se sozinha para Paraisópolis, na capital paulista, onde passou a se dedicar a uma rotina de treinamentos voltada ao MMA. A decisão exigiu que abandonasse a estabilidade que havia construído no interior para tentar espaço em uma modalidade na qual ainda estava começando.
A trajetória de Nágila também é marcada pela ausência dos pais durante a infância. Segundo a atleta, ambos passaram longos períodos presos e não participaram de sua criação. Ela afirma que uma de suas principais motivações é construir uma história diferente da vivida pela família, buscando independência financeira por meio do esporte.
Nágila estreou no nesta edição do torneio vencendo Fabrizia Ketlnn por decisão unânime. Na semifinal, enfrentou Regiane Borges e garantiu a classificação com uma guilhotina. A finalização teve um significado particular para a atleta, que começou no MMA ouvindo questionamentos sobre sua falta de experiência no jogo de chão.
Além da decisão feminina, o Jungle Fight 156 terá a final masculina do Fight do Milhão entre Fabrício Bakai e Ernane Pimenta, na categoria até 77kg.
Para Wallid Ismail, presidente do Jungle Fight, a escolha da final feminina como principal combate da noite faz parte da valorização do MMA feminino, o
“Eu sempre acreditei no potencial das mulheres no MMA, . Colocar a final feminina como luta principal de um evento desse tamanho é dar a essas atletas o espaço que elas merecem. Bianca e Nágila chegaram até aqui por mérito, venceram adversárias duríssimas e vão disputar uma premiação que pode transformar suas carreiras. O Fight do Milhão revolucionou o MMA brasileiro em parceria com a TV Globo, e nós só estamos começando”, afirmou o mandatário.
O dirigente também ressaltou a escolha do Ginásio do Ibirapuera, um dos espaços tradicionais do esporte brasileiro, para receber as decisões do torneio.
“São Paulo é a capital do MMA e o Ginásio do Ibirapuera faz parte da história do esporte nacional. Quero agradecer ao prefeito Ricardo Nunes e ao vereador George Hato pelo apoio incondicional ao Jungle Fight e ao esporte como ferramenta de transformação social”, concluiu Wallid Ismail.
Confira abaixo o card completo do evento (sujeito a alterações):
Jungle Fight 156 Ginásio do Ibirapuera, São Paulo (SP) Sábado, 24 de abril de 2026
52kg: Bianca Sattelmayer (SP) x Nágila Goku (SP)
77kg: Fabrício Bakai (PI) x Ernane Pimenta (RJ)
77kg: Matheus Araújo Fonseca (SP) x Rafael “Cabeça” Silva (MG)
52kg: Day Monster (RJ) x Regiane Borges (MG)
120kg: Wilian Roberto dos Santos Alves (SP) x Hugo Cunha (RJ)
61kg: Jhonatha Frazão (RJ) x Luiz “Buakaw” Paes (SC)
66kg: Manoel Aranha (PA) x Cleiton Rocha (SC)
77kg: Lucas Campos (SP) x Marcos Santana dos Santos (SC)
61kg: Queila Braga (SP) x Lorrany Miranda (RJ)
57kg: Rafael Sanson (RS) x Túlio Macena (BA)
66,5kg: Matheus Henrique da Silveira (SC) x Paulo Cezar (SP)
70kg: Matheus Moraes Lima (BA) x Diogo Pink (SP)
66kg: Lucas Schmidt (SC) x Hari Bhakti Fortes Menezes (SP)
84kg: Ulisses Silva (GO) x Felipe Alves (SP)
66kg: Augusto Machado Correia (SP) x Luis Felipe Vieira de Sousa (SP)
61kg: Victor Rodrigues Soares de Miranda (SP) x Hugo Haweroth dos Santos (SC)
Os brasileiros Alice Pereira e Brendson Ribeiro foram os destaques nacionais do UFC Vegas 122, realizado neste sábado (10), no Meta Apex, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Em uma edição sem grandes estrelas no card, os dois representantes do Brasil conseguiram vitórias por interrupção ainda no primeiro round, enquanto outros quatro brasileiros saíram derrotados e uma terminou sua luta empatada.
Aos 20 anos, Alice Pereira conquistou sua segunda vitória consecutiva no UFC ao superar a russa Daria Zhelezniakova por nocaute técnico. A jovem brasileira, que compete na divisão dos galos, impôs seu jogo desde o início, levou a adversária ao chão e castigou com golpes no ground and pound.
Bastante machucada, Zhelezniakova não conseguiu retornar para o segundo round, decretando a vitória de Alice por interrupção médica ao final dos primeiros cinco minutos.
Brendson Ribeiro finaliza compatriota e também vence rapidamente
Outro brasileiro que aproveitou a oportunidade foi Brendson Ribeiro. Em um confronto nacional pela divisão dos meio-pesados, ele precisou de apenas 1min49s para finalizar Felipe Franco no primeiro round.
Brendson encaixou uma guilhotina e obrigou o compatriota a desistir, garantindo uma das finalizações de destaque da noite.
MUCH NEEDED FOR THE MAN 🇧🇷
Brendson Ribeiro gets the massive submission victory by jumping gilly!
Melissa Gatto empata, e outros quatro brasileiros são derrotados
A participação brasileira também teve resultados negativos. Na abertura do evento, Melissa Gatto empatou por decisão majoritária com Ernesta Kareckaite.
No card principal, Matheus Camilo foi superado pelo inglês Jai Herbert por decisão unânime na segunda luta mais importante da noite. Ketlen Souza também perdeu por decisão unânime, diante da mexicana Loopy Godinez. Já Ismael Bonfim, que não bateu o peso da categoria, acabou nocauteado pelo argentino Francisco Prado aos 4min23s do primeiro round.
Na luta principal, o norte-americano Brendan Allen venceu o inglês Christian Leroy Duncan por finalização com um mata-leão aos 2min46s do quinto round, chegando à quarta vitória consecutiva no UFC.
Confira todos os resultados do UFC Vegas 122
Card principal
Brendan Allen finalizou Christian Leroy Duncan com um mata-leão aos 2min46s do 5º round.
Jai Herbert venceu Matheus Camilo por decisão unânime (triplo 29-28).
Loopy Godinez venceu Ketlen Souza por decisão unânime (triplo 29-28).
Andre Fili nocauteou Kai Kamaka III com um chute na cabeça aos 22 segundos do 2º round.
Otari Tanzilovi nocauteou Malcolm Wellmaker com um chute na cabeça aos 2min39s do 2º round.
Card preliminar
Julius Walker venceu Gerald Meerschaert por nocaute técnico aos 3min35s do 2º round.
Francisco Prado venceu Ismael Bonfim por nocaute técnico aos 4min23s do 1º round.
Niko Price venceu Leon Shahbazyan por nocaute técnico aos 1min58s do 1º round.
Brendson Ribeiro finalizou Felipe Franco com uma guilhotina aos 1min49s do 1º round.
Allen Frye Jr. nocauteou RJ Harris aos 2min59s do 1º round.
Alice Pereira venceu Daria Zhelezniakova por nocaute técnico (interrupção médica) ao final do 1º round.
Melissa Gatto e Ernesta Kareckaite empataram por decisão majoritária (29-27, 28-28 e 28-28).
Glover Teixeira está animado com a possibilidade de voltar a lutar. Em entrevista exclusiva no Conexão PVT, o ex-campeão dos meio-pesados do UFC revelou que o confronto com Maurício Shogun, no evento da Spaten, reacendeu sua motivação para competir. O mineiro também analisou o desafio de Alex Poatan Pereira contra Sergei Pavlovich e contou detalhes dos momentos de apreensão vividos após a emergência envolvendo Raoni.
Glover quer voltar a lutar após duelo com Shogun
A experiência de dividir o ringue com Shogun deixou Glover empolgado. Além de destacar o respeito pelo antigo campeão do Pride, o veterano comemorou a intensidade do combate e afirmou que já intensificou os treinamentos de olho em uma nova oportunidade.
“Eu vou treinar, já tô treinando pra caramba, essa luta me deu uma motivada”, afirmou Glover.
Questionado sobre possíveis adversários, o ex-campeão citou nomes como Alexander Gustafsson, Vitor Belfort, Junior Cigano e Popó, mas deixou claro que ainda não existe negociação concreta. Aos 46 anos, Glover descartou voltar ao UFC para enfrentar a nova geração, mas se mostrou disposto a medir forças com outros veteranos.
Sobre uma possível revanche com Gustafsson, que o derrotou no UFC em 2017, brincou: “Ah, até porque a torcida será toda minha, né?”
Glover prevê nocaute de Poatan contra Pavlovich
Ao analisar o confronto de Alex Poatan Pereira com Sergei Pavlovich, marcado para dezembro, Glover demonstrou confiança no brasileiro. Para ele, embora qualquer luta entre pesos-pesados represente um grande perigo, as características do russo favorecem o jogo de seu pupilo.
“Nocaute, nocaute. Essa luta não tem como, esses cinco rounds eu acho que não vai pro quinto round”, projetou.
Glover explicou que considera Pavlovich um adversário mais favorável estilisticamente do que Ciryl Gane, principalmente pela diferença de movimentação. Enquanto o francês utiliza mais deslocamentos e entradas e saídas rápidas, o russo costuma avançar e permanecer mais à frente do oponente.
“É uma luta mais fácil pro Poatan em termo do estilo do cara”, avaliou.
Apesar do otimismo, o treinador ressaltou a importância de Poatan controlar a distância, lutar com inteligência e respeitar o poder de nocaute do adversário. Segundo ele, o grande objetivo do brasileiro é conquistar um terceiro cinturão no UFC.
Drama de Raoni foi um dos maiores sustos da carreira
Glover relembrou também a emergência envolvendo Raoni durante a luta contra Raul Rosas Jr no UFC. Acostumado a acompanhar combates violentos ao longo de décadas no MMA, o ex-campeão admitiu que a situação foi especialmente assustadora pela maneira inesperada como aconteceu.
“Do jeito que foi ali foi estranho”, recordou.
Glover contou que acompanhou o atleta no hospital, ao lado de familiares e integrantes da equipe. Segundo ele, Raoni conseguia conversar normalmente e demonstrava lembrar dos acontecimentos da luta, embora a situação ainda exigisse cuidados e exames médicos.
O treinador evitou especular sobre a causa do episódio, explicando que não tinha informações suficientes para apresentar um diagnóstico.
Outro ponto destacado por Glover foi a postura de Laerte, pai e treinador de Raoni, que manteve a serenidade mesmo diante da preocupação de todos. Segundo o ex-campeão, Laerte chegou a tranquilizar os integrantes da equipe enquanto acompanhavam o atendimento médico.
“Ele acalmando a gente, cara. É inacreditável!”, contou Glover.
Poucos dias depois de conquistar o cinturão peso-mosca do UFC, Natália Silva conversou com o PVT pela primeira vez como campeã e falou sobre a realização de chegar ao topo da maior organização de MMA do mundo depois de uma longa caminhada até receber sua oportunidade.
Em entrevista ao Conexão PVT, Natália relembrou a vitória sobre Wang Cong no UFC 332, abriu os bastidores da estratégia montada para a disputa do título, explicou a importância da preparação em altitude no México e revelou que, nos rounds finais, chegou a ter vontade de abandonar momentaneamente o plano do córner para trocar golpes de maneira mais franca com a chinesa.
A nova campeã também começou a olhar para o que vem pela frente. Natália quer voltar ao octógono no primeiro semestre, vê Alexa Grasso como uma possível desafiante e deixou um recado claro para Valentina Shevchenko: depois de passar meses esperando pela ex-campeã, não pretende agora paralisar a categoria aguardando seu retorno.
“Foi uma longa caminhada aí até eu finalmente poder estar disputando o título. E agora, né, o tão esperado momento chegou, me tornei campeã. Nossa, eu tô numa felicidade que não dá nem pra explicar.”
Ao se ver ao lado das brasileiras que já conquistaram cinturões no UFC, Natália dimensionou o tamanho do feito.
“Eu já tô na história já, né? […] Faço parte de um seleto grupo de mulheres que se tornaram campeãs do UFC, isso é… isso é gigante!”
Confira abaixo o bate-papo na íntegra com a campeã:
José Aldo voltou à ação neste domingo (4) para um reencontro com um velho conhecido. Longe do MMA e sem socos ou chutes desta vez, o ex-campeão do UFC enfrentou Marlon “Chito” Vera em uma luta de grappling no Hype Fighting Championship, em Quito, no Equador. Após dez minutos e sem finalização, o confronto terminou empatado.
A luta foi a principal atração da primeira edição do Hype no Equador. O evento realizado no Coliseo General Rumiñahui reuniu confrontos de grappling e boxe sem luvas, mas colocou frente a frente Aldo e um dos maiores nomes do MMA equatoriano para fechar a noite.
Diante de sua torcida, Chito Vera tomou a iniciativa durante boa parte do começo do duelo. O equatoriano pressionou Aldo e buscou levar a luta para o chão, enquanto o brasileiro adotou uma postura mais defensiva. Depois de passar os primeiros minutos neutralizando as investidas do adversário, Aldo puxou Vera para a guarda. Foi no chão que surgiu o momento de maior perigo do combate: Chito atacou o calcanhar do brasileiro e chegou perto de encaixar a finalização, mas o ex-campeão do UFC conseguiu escapar.
Sem que nenhum dos dois obtivesse a finalização até o encerramento dos dez minutos regulamentares, o duelo terminou empatado. Depois da luta, Aldo elogiou Chito Vera e comentou que sentiu os efeitos da altitude de Quito, localizada a aproximadamente 2.850 metros acima do nível do mar.
“Chito é um grande lutador, representa muito bem essa bandeira. Tentei mostrar um chão pra vocês, mas senti um pouco o ar. Mas gostei muito daqui e senti todo esse carinho do povo do Equador”, declarou o brasileiro após o confronto.
Copa Rio é uma das mais tradicionais do circuito nacional - Foto: Carol Brandão
Um dos mais tradicionais e prestigiados eventos do calendário do Judô brasileiro, a Copa Rio chegou à sua 19ª edição no último fim de semana, no Anfiteatro do Riocentro. E quem levou a melhor foi o Judô Comunitário Instituto Reação, que se sagrou campeão com 19 ouros, 14 pratas e 30 bronzes, terminando o quadro geral de medalhas à frente de Clube de Regatas do Flamengo (14-08-16), Umbra – Club de Regatas Vasco da Gama (11-11-19), Minas Tênis Clube – MG (10-08-19) e Associação Primaverense de Judô – MT (04-02-02).
A jornada de Judô no Riocentro contou com a participação de 1221 atletas de 146 agremiações e 20 unidades federativas de todas as regiões do país, somando um total de 1591 lutas. Classe por classe, o Instituto Reação venceu a Sênior (6-5-7), a Cadete (4-2-6) e a Sub-13 (4-2-7), enquanto o Flamengo ganhou a Júnior (4-3-4) e a Umbra – Vasco faturou a Sub-15 (4-2-6). Associação Primaverense de Judô – MT ficou com o título da classe Veteranos com 4 ouros, 1 prata e 1 bronze.
Copa Rio é uma das mais tradicionais do circuito nacional – Foto: Carol Brandão
Grande destaque da vitoriosa campanha do Instituto Reação, Rafael Falcão venceu a categoria Meio-Leve (66kg) na classe Sênior. Aos 17 anos, Rafael Falcão vive uma ótima temporada internacional na classe Cadete, já tendo conquistado três medalhas – prata na Copa Europeia de Teplice e bronze na Copa Europeia de Faro e no Campeonato Pan-Americano. O jovem judoca comentou sobre a oportunidade de competir na classe Sênior e comparou a organização da Copa Rio ao que de melhor tem encontrado mundo afora:
“A Copa Rio foi uma competição muito boa, com uma organização do mesmo nível das competições europeias e pan-americanas. Por eu ser mais novo, poder participar desta Copa Rio foi uma grande oportunidade, pois enfrentei adversários muito bons, mais experientes, vindos de fora do Rio de Janeiro, e consegui colocar o meu Judô em prática”.
Trazendo uma medalha de prata da Copa Pan-Americana de Lima e com o próximo desafio internacional já agendado, a vencedora da categoria Meio-Pesado (78kg) na classe Sênior, Karol Gimenes, do Flamengo, também elogiou a estrutura da Copa Rio, desde a área de aquecimento à atuação dos árbitros:
“Estou muito feliz com o meu resultado. Competir nesta Copa Rio foi uma preparação muito boa para o Grand Slam do fim do mês, em Abu Dhabi. Gostei muito da estrutura desta edição da Copa Rio. A área de luta estava muito boa, arejada, e, na área de aquecimento, as televisões informavam as chaves assim que elas saíam. Isso tudo é muito importante para os atletas. Além disso, a arbitragem foi muito assertiva, bem compatível com a que encontramos nos eventos internacionais”.
Integrando a volumosa delegação mineira do Minas Tênis Clube, com mais de 60 integrantes presentes, André Humberto fez bonito ao ganhar a categoria Pesado (+100kg) na classe Sênior. O recém-medalhista de prata na Copa Pan-Americana de Lima aplaudiu o nível da Copa Rio dentro e fora dos tatames:
“Primeiramente, gostaria de parabenizar a Federação do Rio por esta Copa Rio. Foi uma competição de nível muito alto e com uma organização impecável, de nível internacional. Além de tudo, esta Copa Rio é um ótimo parâmetro para os próximos desafios. Tive a oportunidade de enfrentar adversários bem fortes que vão estar no Campeonato Brasileiro, que também será aqui no Rio de Janeiro, e fiquei muito feliz com o meu desempenho”.
Com o patrocínio da Light, por meio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte do Governo do Rio de Janeiro, a Copa Rio Internacional de Judô 2026 é realizada pelo Instituto Opus Vitae em parceria com a Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FJERJ) e chancela da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).
Incentivador do judô e da Copa Rio, o deputado estadual e ex-secretário de Estado de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro, Rafael Picciani, comemorou o sucesso do evento e ressaltou a importância de manter o apoio a competições que também abrem espaço para novos talentos.
“A Copa Rio mostrou mais uma vez a força do judô brasileiro. Foram mais de 1.200 atletas, de diferentes estados, competindo em uma estrutura que oferece condições tanto para quem está começando quanto para quem já disputa torneios internacionais. É muito bom ver jovens talentos dividindo os tatames com atletas experientes e tendo a oportunidade de evoluir. Esse é o tipo de evento que merece continuidade e investimento, porque ajuda a formar novos campeões e mantém o Rio de Janeiro no calendário das grandes competições da modalidade”, afirmou Picciani.
Duelo está programado para novembro - Foto: Divulgação
Um confronto entre atletas de graduações diferentes será uma das atrações do Turris Invitational, marcado para 14 de novembro, no Rio de Janeiro. Aos 16 anos, o faixa-azul Isaque Lima enfrentará o faixa-preta Felipe Porto Schiavon, da Fight Sports, em uma luta casada de jiu-jitsu sem kimono (No Gi). Apesar da diferença de experiência, o adolescente, que já participa de grandes competições, aceitou o desafio após conversar com a família e os professores.
Duelo está programado para novembro – Foto: Divulgação
Felipe começou a treinar jiu-jitsu aos 12 anos, em Jacareí, no interior de São Paulo. Em 2017, mudou-se para Miami, nos Estados Unidos, para se dedicar integralmente à modalidade na Fight Sports, sob orientação de Roberto “Cyborg” Abreu e Vagner Rocha. Desde então, conquistou títulos no AJP Tour e subiu ao pódio em competições da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro (IBJJF), incluindo Mundiais e Pan-Americanos.
Do outro lado estará Isaque, que vê no confronto com um adversário mais graduado a oportunidade de testar seu nível técnico e ganhar experiência competitiva.
“Enfrentar o Felipe, que é um faixa-preta com muito mais experiência, é uma oportunidade muito importante para mim. Tenho apenas 16 anos e ainda tenho muito a aprender. Quero chegar bem preparado, dar o meu melhor e aproveitar essa experiência para evoluir”, afirmou o jovem.
Para Felipe, a diferença de graduação não altera a maneira como pretende encarar o combate. O faixa-preta afirma que a preparação será a mesma adotada diante de qualquer outro adversário.
“Eu não olho para ele como um faixa-azul. Eu olho para ele como o adversário que ele é. Não fico colocando na minha cabeça esse peso de ‘sou faixa-preta, tenho que ganhar’. Minha preocupação é estar preparado, entrar tranquilo e fazer aquilo que eu sei fazer”, explicou.
O atleta da Fight Sports pretende adotar uma postura ofensiva, buscando impor seu jogo desde o início e aproveitar as oportunidades de finalização. Isaque, por sua vez, aposta no trabalho desenvolvido com seus professores para enfrentar um competidor que já acumula experiência em torneios internacionais.
Felipe também considera que o confronto pode mostrar o nível alcançado por atletas que começam a competir ainda na adolescência.
“Essa luta representa algo muito positivo para o Jiu-Jitsu. É uma oportunidade de colocar duas gerações diferentes frente a frente e mostrar como o esporte está evoluindo e como novos atletas estão surgindo cada vez mais cedo”, afirmou.
A primeira edição do Turris Invitational será realizada na Upper Arena e terá lutas casadas com e sem kimono, envolvendo competidores das categorias kids, juvenil, adulto e master.
A programação também contará com um GP No Gi, reunindo atletas das categorias juvenil e adulto, com premiação total de R$ 5 mil. O campeão receberá R$ 3 mil, enquanto o vice-campeão ficará com R$ 1,5 mil e o terceiro colocado ganhará R$ 500.
Natália Silva escreveu seu nome na história do MMA brasileiro neste sábado (3). A mineira derrotou a chinesa Wang Cong por decisão unânime na luta principal do UFC 332, no Delta Center, em Salt Lake City, nos Estados Unidos, e conquistou o cinturão peso-mosca feminino. Os três jurados apontaram vitória da brasileira, com placares de 48-47, 48-47 e 49-46.
Com o triunfo, Natália se tornou a primeira brasileira a conquistar o título da categoria até 57 kg do UFC. O cinturão estava vago após Valentina Shevchenko deixar o posto de campeã por conta de uma lesão.
Diante de uma adversária perigosa na trocação, Natália utilizou a velocidade e a variedade de golpes que marcaram sua caminhada até o topo da divisão. A brasileira começou melhor o combate e conseguiu construir vantagem durante os primeiros rounds, alternando ataques e dificultando as entradas da chinesa.
Um dos principais momentos aconteceu no segundo assalto, quando Natália acertou um chute alto que abalou Wang. A chinesa, no entanto, permaneceu na luta e cresceu na segunda metade do confronto. Com mais pressão e agressividade, Wang tentou mudar o cenário nos rounds finais e tornou a disputa apertada até o último gongo.
A vantagem construída por Natália foi suficiente. Ao final dos 25 minutos, os juízes marcaram 48-47, 48-47 e 49-46, todos a favor da mineira, confirmando a brasileira como a nova campeã peso-mosca do UFC.
Johnny Walker vence; Deiveson e Rafael dos Anjos são derrotados
Os outros três brasileiros tiveram resultados distintos no UFC 332. Em sua estreia entre os pesos-pesados, Johnny Walker nocauteou Mick Parkin com uma joelhada aos 3min35s do primeiro round. Já Deiveson Figueiredo foi derrotado por Payton Talbott por nocaute técnico aos 2min09s do primeiro round na luta co-principal, enquanto Rafael dos Anjos perdeu para Alexander Hernandez por nocaute técnico aos 3min12s do segundo assalto.